Resgatando a qualidade de vida
- há 7 dias
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A fisioterapia como aliada no tratamento do câncer de cabeça e pescoço.

O diagnóstico de um tumor na região da cabeça e pescoço traz desafios que vão muito além do tratamento oncológico em si. Cirurgias, radioterapia e quimioterapia são armas fundamentais contra a doença, mas podem deixar sequelas que impactam funções básicas como comer, falar, sorrir, movimentar o pescoço, movimentar o ombro e, acima de tudo, impactam a autoestima do paciente.
É aqui que a Fisioterapia Orofacial se torna uma peça-chave no cuidado interdisciplinar, atuando desde o pré-operatório até a reabilitação tardia.
Como a Fisioterapia atua na reabilitação?
A intervenção fisioterapêutica é ampla e personalizada, focando na funcionalidade e na prevenção de complicações. Conheça as principais frentes de atuação:
Controle da Dor: com a utilização de técnicas manuais, exercícios e recursos eletrofisicos é possível para reduzir a intensidade de dores agudas e crônicas.
Linfedema de Cabeça e Pescoço: O acúmulo de líquido (inchaço) após a retirada de linfonodos ou radioterapia pode causar desconforto e alteração estética. Utilizamos a Terapia Física Complexa, que inclui a drenagem linfática manual específica e bandagens compressivas.
Paralisia Facial: Em casos onde o nervo facial é afetado, trabalhamos com a reabilitação neuromuscular para devolver a simetria e a funcionalidade da expressão e do fechamento ocular.
Reabilitação da Mobilidade: exercícios terapêuticos para tratar a restrição de movimento do pescoço (cervical) e dos ombros, comum após esvaziamentos ganglionares e após a radioterapia.
Combate ao Trismo: atuação direta na abertura bucal, prevenindo ou tratando a fibrose dos músculos mastigatórios causada pela radioterapia e por cirurgias.
Prevenção de Fibroses e Cicatrizes: técnicas de liberação tecidual para garantir que a cicatrização não limite os movimentos ou cause retrações desconfortáveis.
Cuidado com a Pele (Radiodermites): a radioterapia pode fragilizar a pele, causando vermelhidão, dor e até feridas. A fisioterapia atua na prevenção e no tratamento dessas lesões, utilizando o laser que acelera a cicatrização e restauram a integridade do tecido cutâneo.
Manejo da Neuropatia Periférica: alguns protocolos de quimioterapia podem afetar os nervos, causando formigamento, dormência ou dor em queimação. Através de exercícios específicos, recursos de neuromodulação e laser trabalhamos para reduzir esse desconforto e melhorar a sensibilidade e a funcionalidade.
Prática de atividade física adaptada: o exercício físico supervisionado é fundamental para combater a fadiga oncológica, preservar a massa muscular, melhorar a resposta imunológica e fortalecer a saúde emocional.
Quando começar a fisioterapia?
Uma das dúvidas mais comuns de quem recebe o diagnóstico de um câncer de cabeça e pescoço é: "Quando devo procurar o fisioterapeuta?". A resposta, baseada nas evidências mais atuais, é simples: o quanto antes.
A reabilitação não deve ser vista apenas como um tratamento para sequelas, mas como uma estratégia de prevenção da ocorrência se sequelas.
Esperar a dor aparecer ou a boca "travar" para procurar ajuda torna o processo de reabilitação mais longo e complexo. Quando intervimos precocemente, conseguimos manter as fibras musculares ativas e a pele saudável, evitando que pequenas limitações se tornem sequelas permanentes.
Outro aspecto importante é que a fisioterapia especializada é a base que sustenta a continuidade do tratamento oncológico. Mais do que tratar sequelas, nossa atuação precoce visa blindar o paciente contra complicações (radiodermites severas, dor incapacitante e o trismo), que poderiam forçar uma pausa indesejada na radioterapia ou quimioterapia. Ao minimizar esses danos em tempo real, garantimos que o plano médico siga sem interrupções, permitindo que o paciente complete sua jornada rumo à cura com a funcionalidade.
A regra de ouro é: a fisioterapia deve caminhar lado a lado com o tratamento oncológico, nunca depois dele.
Dra. Delaine Rodrigues Bigaton é Fisioterapeuta Orofacial e responsável pelo Instituto
Delaine Bigaton, em Piracicaba (SP).
Contato: (19) 97419-0792 | institutodelainebigaton@gmail.com | @institutodelainebigaton



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