Gastrostomia no Câncer de Cabeça e Pescoço: O que é, Quando é Necessária e Como Pode Salvar Seu Tratamento
- 23 de mai.
- 3 min de leitura
Se você ou alguém que você ama está enfrentando um câncer de cabeça e pescoço e precisa fazer radioterapia ou quimioterapia, é muito provável que o médico mencione a gastrostomia — a famosa "sonda no estômago". Entender o que é, para que serve e quando ela é necessária pode fazer toda a diferença na sua jornada de tratamento.

O que é a gastrostomia? A gastrostomia é um procedimento minimamente invasivo no qual um pequeno tubo (chamado de sonda ou cateter) é inserido diretamente no estômago através da parede abdominal. Por meio desse tubo, o paciente recebe alimentação líquida diretamente no estômago, sem precisar engolir.
Por que ela é tão importante no câncer de cabeça e pescoço? Os tumores que afetam a boca, garganta, laringe, faringe e estruturas vizinhas comprometem diretamente a capacidade de mastigar e engolir. Quando somamos isso aos efeitos da radioterapia e da quimioterapia — que causam inflamação intensa, feridas na boca (mucosite), dor e dificuldade para engolir (disfagia) —, muitos pacientes simplesmente não conseguem se alimentar de forma adequada pela boca.
A desnutrição é um dos maiores problemas nesse grupo de pacientes. Estudos mostram que até 50% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço precisam de gastrostomia durante o tratamento. Um paciente desnutrido tem mais dificuldade de tolerar o tratamento, maior risco de complicações, pior cicatrização e, consequentemente, piores resultados.
Quando a gastrostomia é indicada? Existem dois momentos em que ela pode ser colocada:
Gastrostomia profilática (preventiva): colocada antes do início do tratamento, para pacientes com alto risco de desenvolver dificuldade de engolir. É indicada especialmente para tumores de hipofaringe, pacientes com dificuldade de engolir já no diagnóstico ou com peso muito abaixo do ideal (IMC menor que 18,5).
Gastrostomia reativa (de resgate): colocada durante o tratamento, quando o paciente já está com dificuldade real de se alimentar. É mais comum em pacientes que fazem quimioterapia associada à radioterapia, pois essa combinação causa efeitos colaterais mais intensos.
Tumores de nasofaringe e o uso de quimioterapia são fatores que aumentam a necessidade de gastrostomia durante o tratamento.
A gastrostomia é permanente? Na maioria dos casos, não. A sonda é retirada quando o paciente consegue voltar a se alimentar normalmente pela boca, o que geralmente acontece semanas ou meses após o término do tratamento. A reabilitação da deglutição com fonoaudiólogo é fundamental nesse processo.
Como é feito o procedimento? A gastrostomia mais utilizada atualmente é a PEG (Gastrostomia Endoscópica Percutânea), realizada por endoscopia, sem necessidade de cirurgia aberta. É um procedimento rápido, seguro e feito com sedação. O paciente geralmente recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Quais são os cuidados com a sonda? Com orientação adequada da equipe de saúde, o paciente e seus familiares aprendem rapidamente a cuidar da sonda em casa. Os principais cuidados incluem:
Lavar o local de inserção diariamente com água e sabão neutro.
Girar levemente a sonda para evitar aderências na pele.
Administrar a dieta líquida conforme orientação do nutricionista.
Lavar a sonda com água após cada administração de alimento ou medicamento.
Observar sinais de infecção como vermelhidão, inchaço ou secreção no local.
O que diz a ciência? Uma revisão sistemática publicada em 2024 no periódico Head & Neck, que analisou 16 estudos com mais de 11.000 pacientes, confirmou que 44% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço precisaram de gastrostomia durante o tratamento. O estudo identificou os principais fatores que ajudam os médicos a decidir o melhor momento para indicar o procedimento, reforçando a importância de uma avaliação individualizada e precoce de cada paciente.
Mensagem final: A gastrostomia não é um sinal de fraqueza ou de que o tratamento está indo mal. Pelo contrário — ela é uma aliada poderosa que garante que seu corpo receba a nutrição necessária para enfrentar o tratamento com mais força, menos complicações e melhores resultados. Se o seu médico sugeriu esse procedimento, converse abertamente sobre suas dúvidas e medos. Você não está sozinho nessa jornada.

Comentários