Tratamento do Câncer de Próstata Localizado: Um Grande Desafio

 

O tratamento do câncer de próstata localizado tem sofrido mudanças nos últimos anos. Se até recentemente tínhamos certeza de que a prostatectomia radical era o melhor tratamento nestes casos, hoje temos melhoras significativas na radioterapia, na braquiterapia e mesmo no acompanhamento vigilante (Active surveillance), fazendo com que a certeza do passado se transforme em dúvida no presente. A cirurgia continua sendo a opção preferível em pacientes jovens (principalmente abaixo de 65 anos), com poucas comorbidades e com grande expectativa de vida (acima de 10 a 15 anos). Apesar disso, é inegável o impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes submetidos a esse tratamento, principalmente relacionados à incontinência urinaria e à disfunção sexual. Desta forma, como podemos tratar um paciente acometido desta doença, oferecendo grande chance de cura, com mínimos efeitos colaterais?

 

A radioterapia conformacional (acelerador linear) é uma opção atraente para aqueles indivíduos mais idosos, com comorbidades ou contra-indicação para o procedimento cirúrgico. A IMRT (Radioterapia de intensidade modulada) é uma forma de tratamento em que se consegue aumentar a dose aplicada na glândula, com menos efeitos colaterais. Apresenta índices de cura semelhantes ao tratamento cirúrgico, porem com menor incidência de complicações. A colocação de sementes radioativas na próstata (braquiterapia) também se apresenta como opção interessante nestes casos, principalmente em indivíduos com próstatas pequenas e que queiram diminuir o risco das complicações da terapia tradicional.

 

Já o active surveillance tem apresentado bons índices de aderência em centros de referência, devido ao menor risco de complicações, principalmente em pacientes idosos com tumores pequenos, pouco agressivos e com grandes comorbidades, apesar de exigir acompanhamento regular e com chance de ate 30% de conversão para tratamento definitivo por diversos aspectos, dentre eles os psicológicos.

 

Cabe ao urologista tentar definir o paciente que morrerá COM o câncer de próstata e não DEVIDO ao câncer de próstata, ou seja, se até a algum tempo o desafio era fazer o diagnóstico da doença através da biópsia, hoje nos deparamos com um desafio ainda maior que é definir qual tratamento indicar para qual paciente. Não devemos indicar tratamento para aqueles indivíduos em que o risco do tratamento seja maior que o risco da doença em si. É importante definir que a abordagem de alguns casos deve ser multidisciplinar, envolvendo o urologista, radioterapeuta e o oncologista. Outro fator importante é que o tratamento indicado pode ser o primeiro de vários, já que a cirurgia, a radioterapia, a hormonioterapia e a quimioterapia podem ser necessárias e atuarem de forma complementar em um mesmo paciente.

 

Os tratamentos no câncer de próstata localizado apresentam vantagens e desvantagens que devem ser debatidas com o paciente. A palavra-chave no tratamento do câncer de próstata localizado atualmente é a individualização dos casos, discutindo abertamente com o paciente as chances de cura e dos efeitos colaterais para que a decisão seja tomada de forma conjunta.

​2016 por CMJ



 

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