Câncer de Cabeça & Pescoço

 

O tratamento dos tumores de cabeça e pescoço é , sem dúvida, um dos mais complexos no contexto da Radioterapia e a toxicidade causada depende muito de fatores como dose de tratamento, tecnologia utilizada, tamanho de campo, associação com quimioterapia, além do perfil do paciente, envolvendo comorbidades; status nutricional, odontológico e cirúrgico. Daí a importância de seguir corretamente as recomendações necessárias, visando interrupções do tratamento, além de reduzir ao máximo os efeitos adversos e possíveis complicações.

 

REAÇÕES ADVERSAS

 

Mucosite: reação inflamatória em mucosa da região irradiada, com estágios que se assemelham a aftas, podendo evoluir para úlceras. Pode surgir a partir da segunda semana de tratamento e mais precocemente quando há associação com Quimioterapia. Na maioria das vezes são dolorosas.

 

Alteração do Paladar: Pode ocorrer na primeira semana de tratamento e regredir cerca de 4 meses após o término do mesmo. A perda de paladar pode ser parcial ou total a depender da área exposta à radiação.

 

Boca Seca: Ocorre devido a diminuição da salivação, decorrente da irradiação das glândulas salivares e emprego de alguns quimioterápicos. É mais intensa após a primeira semana de tratamento e pode permanecer após o tratamento.

 

Monilíase Oral: causada por fungos oportunistas, devido às alterações fisiológicas relacionadas à diminuição da salivação e mucosite oral. As lesões geralmente são dolorosas e exigem tratamento específico. Em geral surgem por volta da décima aplicação na região exposta à  radiação.

 

Infecções Bacterianas: podem ocorrer em diversas etapas do tratamento e estão relacionadas às condições de higiene oral e condições periodontais do paciente.

 

Radiodermite: inflamação da pele induzida pela radiação, especialmente na região do pescoço, quando irradiado. Pode haver descamação seca ou úmida, associada a ardor local. É bem tolerada quando seguida as orientações e cuidados médicos com melhora gradual após o tratamento.

 

Cárie dental: A alteração da qualidade e quantidade de saliva favorece a instalação de uma flora bacteriana cariogênica. O acompanhamento odontológico e seus cuidados são necessários para a prevenção e manejo dos dentes.

 

Osteorradionecrose: Uma das complicações mais graves possível de ocorrer com pacientes submetidos a radioterapia de cabeça e pescoço, que pode ser evitada com o acompanhamento e tratamento odontológico adequado. De ocorrência tardia, a necrose e fibrose óssea de regiões da mandíbula e dentes comprometem suas estruturas ósseas e capacidade de cicatrização.

 

ORIENTAÇÕES E CUIDADOS

 

Pensando no controle e prevenção dos efeitos colaterais do tratamento com Radioterapia, é muito importante que as medidas abaixo sejam seguidas:

 

Hidratação – Ingestão diária de água (mínimo de 2L/dia), caso não haja contra-indicação por outras comorbidades

 

Higiêne bucal - passagem de fio dental e escovação com creme dental fluoretado diários com cuidado. Uso de escovas dentais macias. Evitar uso de palitos de dente e enxaguatórios  bucais com álcool.

 

Bicarbonato de Sódio - Dilua 02 colheres de sobremesa de bicarbonato de sódio em 1L de água potável e realize bochecos 3 a 5 vezes por dia. Isso ajudará a retardar e previnir a mucosite

 

Tabaco e álcool - devem ser suspensos. Com eles a intensidade e frequência dos efeitos colaterais aumentam e dificultam o tratamento, além de terem  potencial cancerígeno.

 

LIBERAÇÃO E SEGUIMENTO ODONTOLÓGICO

 

Para que se inicie o tratamento de tumores de cabeça e pescoço com Radioterapia é necessário  avaliação e liberação odontológica, visto que muitas vezes, previamente ao tratamento, são realizados procedimentos específicos com o objetivo de evitar ou amenizar algumas das reações adversas anteriormente descritas. Da mesma forma, também é importante que haja acompanhamento odontológico durante e após o tratamento.

 

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL

 

Devido às reações adversas decorrentes do tratamento com Radioterapia e Quimioterapia em região de cabeça e pescoço, o paciente passa a ter dificuldade em se alimentar e ingerir líquidos, daí a importância da avaliação e seguimento nutricional.

 

​2016 por CMJ



 

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